Solidão, foge que eu te encontro
que eu já criei asas.
E se tiver em casa,
não saia,
pois eu já sou de casa.
Não me acostumo
com essa velha intuição
de achar que esse sentimento
é a solidão.

O fim do túnel

Era patético a forma que ela vivia pensando em suicídio. Em como ela achava que o vazio de sua miserável vida tinha tamanha dimensão que até seus olhos eram um poço vazio de nada. Era inundados com o vácuo. Seus olhos eram vazios, sua boca cheia de palavras era vazia, seu corpo era vazio, as ruas eram vazias. Tudo realmente era vazio. Nos finais de semanas ela sempre procurava um barzinho nas esquinas escuras para tomar mais uns goles de cerveja e sair por aí contando todos os seus desejos de vida - embora ela nem quisesse viver tanto assim. Colecionava problemas dos outros, também. Era como uma caixinha onde as pessoas depositavam tudo o que as atormentavam. Estava à beira da loucura e ninguém estava aos prantos para salvar-lhe. Pobre coitada, cheia de vazios não tinha como parar. Fumava tantos cigarros. Bebia tantas cervejas que quando o sol estava nascendo tinha que se curvar na cadeira e vomitar. O tal de amor já não era mais que um pequeno vazio dentro do seu coração repleto de feridas da vida. Desmaiava de fraqueza, de cansaço, de uma espera que nunca ia se acabar. E era assim sempre. Era ela, a cerveja, os cigarros e, por fim, o vazio terrível.

Eu preciso - Poema

Eu preciso de um Marcos,
eu preciso ter João,
eu preciso casar Antônio,
eu preciso de nós todos.

Eu preciso ter liberdade,
eu preciso crer no amor,
eu preciso pagar as dívidas,
eu preciso esquecer alguém.

Eu preciso ficar bêbado,
eu preciso de um buquê de flores,
eu preciso ser escrita,
eu preciso ser um autor.

Eu preciso viver mais,
eu preciso doar menos,
eu preciso viver com homens,
eu preciso de mim, de novo.
 Eu bebia o afeto das pessoas como se não tivesse problema, e quando via que tinha algo de errado ali, tinha algo faltando ali eu vomitava tudo. Era um vício, um ciclo que se estabeleceu em mim como prova de que eu era mais uma dessas pessoas com problemas normais sentindo-se diferente. Vivi a tona por aí procurando planos para minha vida um pouco insatisfeita. Vivi a fase dos que sonham frequentemente e quebram a cara quando ver que tudo aquilo era mais fictício do que um unicórnio dormindo comigo em meu quarto. Sou daquelas que quebra a cara mil vezes para preferir essa realidade amarga da vida. A minha realidade no entanto, é mais doce do que o licor e já não sei se depois de todo esse tempo vai trazer a amargura aos lábios.



             Se já foram as ilusões, os sonhos e se for a realidade, no que eu vou acreditar depois?
Sou louca por fins. Talvez isso que tenha me prejudicado demais esses últimos meses. Adoro o último dia do mês. Sei lá, ele é fim do recomeço. É difícil ver algum fim verdadeiro durante a vida. Mas, eles ainda se repetem, uma vez por ano, trazendo lembranças e prejuízos inestimáveis. Acho que não quero mais ser fim. Acho que não quero mais ser nada, também. Ser “qualquer coisa” saiu da minha lista de desejos. Quero ser leve. Acho que quero ser vento

Dama Vagabunda

Ontem a noite abracei e beijei um livro antigo. Foi a melhor maneira que encontrei para agradecê-lo de ter me proporcionado duas horas de leitura frenética e pleno deleite. E olha que eu não tô falando do Kama Sutra, nem do Delta de Vênus ou algo parecido. Esse prazer de tamanha intensidade muito poucas coisas, pessoas ou situações têm conseguido me proporcionar nos últimos tempos. E isto, infelizmente, inclui sexo. 
 Tenho bebido demais ultimamente e quando fico bêbada não me importo tanto com mínimos detalhes. A bebida desentorta nossa visão e o pensamento que se diluem num todo caótico. E todas aquelas pequenas gotas de irritação, frustração, desgosto, com a existência, com a humanidade em geral - Esses litros de cervejas que têm decido goela abaixo me fazendo por vezes até acreditar em amor à primeira vista, lindos instantes, que a vida de fato é algo simples e belo. 
  Tenho me esforçado para vencer a amargura, raiva, rancor, ódio, tristezas e etc, que os dias tenham me proporcionado. Esses sentimentos são como pequenos demônios, daqueles que atuam nos mais baixos escalões do inferno, e vêm ao mundo apenas para chutar bengalas de velhinhos e roubar pirulitos de crianças. Esses sentimentos são capazes de te tirar do sério como uma batida do seu dedinho pequeno do pé nos móveis, ou uma unha encrava que não te deixa dormir. Porém, esse fato de eu ficar o tempo todo querendo fugir da realidade é algo fictício demais, artificial por fim. 
 Como disse antes, ultimamente tenho encontrado meu falso bem-estar no álcool, e um bem-estar genuíno, embora bem mais escasso, na leitura, na música, nos filmes. Embora isto seja apenas um refúgio para fugir da realidade e não ter coragem para lutar contra os baixos da vida. Sou fraca. Coragem não existe no meu vocabulário - Mas pouco me importa, o álcool é de certo ponto, o meu melhor domínio. 
Pouco me importa o que disseram quando decidi que seria você, o único capaz de ter todo o meu amor. Sofri calada com todas as acusações, com todas as criticas, com todas as partidas. Mas mesmo assim, não quis deixar minha felicidade partir por causa da sociedade crítica. Quis continuar com todas as minhas forças. Quis enfrentar as barreiras que tinham que vir, e vieram. Enfrentei todas com a minha força de sempre e o meu amor também. Tivemos nossos momentos de incertezas, de ciúmes bobos por causa de um abraço qualquer, que até mesmo você disse que não era “nada” ao tamanho do sentimento que sentimos um pelo o outro. E pendurou. E continuou. E vai continuar esse amor, esse carinho, esse cuidado, tudo. Irá continuar tudinho, até o fim.