Dama Vagabunda

Ontem a noite abracei e beijei um livro antigo. Foi a melhor maneira que encontrei para agradecê-lo de ter me proporcionado duas horas de leitura frenética e pleno deleite. E olha que eu não tô falando do Kama Sutra, nem do Delta de Vênus ou algo parecido. Esse prazer de tamanha intensidade muito poucas coisas, pessoas ou situações têm conseguido me proporcionar nos últimos tempos. E isto, infelizmente, inclui sexo. 
 Tenho bebido demais ultimamente e quando fico bêbada não me importo tanto com mínimos detalhes. A bebida desentorta nossa visão e o pensamento que se diluem num todo caótico. E todas aquelas pequenas gotas de irritação, frustração, desgosto, com a existência, com a humanidade em geral - Esses litros de cervejas que têm decido goela abaixo me fazendo por vezes até acreditar em amor à primeira vista, lindos instantes, que a vida de fato é algo simples e belo. 
  Tenho me esforçado para vencer a amargura, raiva, rancor, ódio, tristezas e etc, que os dias tenham me proporcionado. Esses sentimentos são como pequenos demônios, daqueles que atuam nos mais baixos escalões do inferno, e vêm ao mundo apenas para chutar bengalas de velhinhos e roubar pirulitos de crianças. Esses sentimentos são capazes de te tirar do sério como uma batida do seu dedinho pequeno do pé nos móveis, ou uma unha encrava que não te deixa dormir. Porém, esse fato de eu ficar o tempo todo querendo fugir da realidade é algo fictício demais, artificial por fim. 
 Como disse antes, ultimamente tenho encontrado meu falso bem-estar no álcool, e um bem-estar genuíno, embora bem mais escasso, na leitura, na música, nos filmes. Embora isto seja apenas um refúgio para fugir da realidade e não ter coragem para lutar contra os baixos da vida. Sou fraca. Coragem não existe no meu vocabulário - Mas pouco me importa, o álcool é de certo ponto, o meu melhor domínio. 

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